Eu sou

EU SOU

Exôdo 3. 11-14

Moisés, porém, respondeu a Deus: ‘Quem sou eu para apresentar-me diante de faraó e tirar os israelitas do Egito?’

Deus afirmou: ‘Eu estarei com você. Esta é a prova de que sou eu quem o envia: quando você tirar o povo do Egito, vocês prestarão culto a Deus neste monte’.

Moisés perguntou: “Quando eu chegar diante dos israelitas e lhes disser: O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês e eles me perguntarem: ‘Qual é o nome dele?’ Que lhes direi?”  

Disse Deus a Moisés: “Eu Sou o que Sou. É isso que você dirá aos israelitas. Eu Sou me enviou a vocês.”

    Neste texto, nós percebemos que a palavra ‘sou” foi dita cinco vezes. Uma vez dita por Moisés e dita quatro vezes por Deus. Quando Moisés diz “Quem sou eu”, ele está olhando para sua condição humana falha, fraca. Provavelmente, ele quis dizer: Deus, eu não tenho condições nem credenciais para fazer o que você está me pedindo. Eu nasci escravo sob um decreto de morte. Fui tirado de minha família, ainda bebê. Foi um príncipe, me tornei um assassino. Depois fugitivo e peregrino em terra estrangeira. Agora sou apenas o pastor das ovelhas do meu sogro.

    A expressão usada por Deus nesse contexto é Yahweh, que segundo algumas teorias, significa “Aquele que é” ou “Aquele que traz a existência todas coisas”.  Nosso Deus é um deus pleno, integro, completo. Ele não precisa de que outras coisas existam para que ele exista. Ele simplesmente é o Grande Eu Sou. O criador de todas as coisas. Mesmo com essas credenciais, Deus não olha para nós e vê apenas o nosso momento presente, e também não nos avalia por aquilo que somos neste momento, mas ele nos olha de uma maneira que pode ver aquilo que podemos nos tornar se estivermos com ele.

De acordo com o filósofo Jean Paul Satre “ o ser humano jamais ‘é’, mas ‘está sendo’ um projeto possível até a sua morte”. Ou seja, nós não estamos prontos e acabados e sim somos constantemente passíveis de mudanças. Sejam elas pequenas ou grandiosas. E Deus vê isso em nós e tem expectativa pela nossa transformação.

    Quando Deus falou com Moisés no deserto, Moisés lhe apresentou a condição atual dele, o que ele era no momento, um reles pastor de ovelhas, porém, Deus o chamou porque já sabia quem Moisés iria se tornar: O libertador de um povo, o legislador de uma nação, um dos maiores profetas que o mundo já conheceu.

    No entanto, se ele se acomodasse diante da situação em que vivia, com o que ele era no momento, provavelmente ele não viveria os sonhos que Deus tinha para sua vida. Ele não seria aquilo que Deus esperava que ele fosse.

    Em alguns momentos de nossa vida nós agimos como Moisés antes do encontro com o Grande Eu Sou. Como Moisés, nós nascemos escravos e sob uma pena de morte, e ao invés de rompermos com isso e buscar a nossa restauração, ao invés de negarmos o pecado, e nos tornarmos homens e mulheres livres e salvos, nós preferimos a escravidão e a morte.

    Como Moisés nós podemos ser assassinos, talvez nem saibamos disso, mas aquilo que falamos, a maneira com que tratamos os outros e as nossas atitudes que deveriam trazer vida podem estar matando pessoas. Pois talvez, nós não queiramos mudar, nós somos assim e vamos ser assim em detrimento das outras pessoas, de Deus.

    Também podemos ser fugitivos, fugir da responsabilidade que Deus espera que assumamos. Talvez o que Deus espera de nós é que simplesmente sejamos filhos obedientes que andam sob autoridade de seus pais; pais amorosos e que entendem e assumem a responsabilidade de incutir os princípios corretos na vida de seus filhos. Que sejamos o esposo ou a esposa que anda em aliança, em uma casa em que a presença do espírito é constante. Enfim, não sermos aqueles que se esquivam do propósito de Deus para as nossas vidas.

    O que tem impedido de nos tornar aquilo que Deus espera que sejamos?

             O comodismo? A falta de perspectiva?  As outras pessoas? A frustração? O medo da frustração?

Atos 7.20-36

 Por esse tempo, nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus. Por três meses, foi ele mantido na casa de seu pai; quando foi exposto, a filha de Faraó o recolheu e criou como seu próprio filho.

 E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.

 Quando completou quarenta anos, veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel.

 Vendo um homem sendo tratado injustamente, tomou-lhe a defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio.

 Ora, Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam.

No dia seguinte, aproximou-se de uns que brigavam e procurou reconduzi-los à paz, dizendo: Homens, vós sois irmãos; por que vos ofendeis uns aos outros?

Mas o que agredia o próximo o repeliu, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós?

 Acaso, queres matar-me, como fizeste ontem ao egípcio?

 A estas palavras Moisés fugiu e tornou-se peregrino na terra de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos.

Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe, no deserto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia.

Moisés, porém, diante daquela visão, ficou maravilhado e, aproximando-se para observar, ouviu-se a voz do Senhor:

Eu sou o Deus dos teus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Moisés, tremendo de medo, não ousava contemplá-la.

Disse-lhe o Senhor: Tira a sandália dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa.

Vi, com efeito, o sofrimento do meu povo no Egito, ouvi o seu gemido e desci para libertá-lo. Vem agora, e eu te enviarei ao Egito.

A este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça.

Este os tirou, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, assim como no mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos.

    Nessa passagem nós vemos que Moisés já sabia que ele seria o instrumento de libertação do seu povo. Porém, o que ele não sabia é que ele não seria o personagem principal dessa história.

Ele achava que com seus conhecimentos da cultura e sabedoria egípcia e o seu poder de influência seriam capazes de libertar o povo. Afinal, ele era um príncipe. Entretanto, todo esse conhecimento, toda essa influência ele viu se evaporar diante de si. E o que lhe restou foi tomar atitudes desesperadas e fugir com o coração cheio de frustrações.

Moisés, se frustrou e fugiu, porque ele não entendeu que não era o momento. Ele primeiro deveria ter um encontro com Deus. Saber quem Deus é. E também, saber o que Deus pensava sobre ele. Saber que ele ainda não era o que Deus esperava que ele fosse. Mas que estava em processo de se tornar aquilo que Deus queria que ele se tornasse. Mal sabia, Moisés que esse processo não seria tão fácil. Mal sabia ele, que ele teria que passar por tantas dificuldades: ser desprezado, ficar sozinho, perder o seu status, perder tudo que tinha, passar por um deserto. Mas ao final, ele cumpriu aquilo que Deus sonhou para ele. E pôde viver o propósito que Deus estabeleceu para sua vida.

Como Moisés, nós queremos fazer as coisas do nosso jeito, e quando as coisas não saem da maneira como esperamos, nos frustramos, ficamos deprimidos. Tentamos fugir das nossas responsabilidades. Porque saber a vontade de Deus, se já nos achamos prontos e aptos para realizar tal tarefa?

Por exemplo, estamos endividados, ao invés de buscar ao Senhor e descansar nele, nós vamos ao banco e fazemos um empréstimo, depois oramos para que ele não deixe que a dívida cresça novamente. Nós buscamos paliativos, porque não queremos confiar em Deus, queremos evitar o deserto. E de repente, bate a nossa porta uma dívida maior. E nos frustramos

Outro exemplo, é quando estamos insatisfeitos com nosso emprego, por causa do chefe, dos colegas do trabalho, do salário, nós pedimos a conta achando que é o melhor a fazer. Depois vamos orar para que Deus nos abra uma porta de um emprego melhor do que aquele onde estávamos. O vamos abrir o nosso próprio negócio sem pedir direcionamento de Deus. Nós decidimos não passar pelo processo de Deus. Novamente nos frustramos.

No caso dos jovens, talvez, quando aparece aquela varoa ou aquele varão. Então a jovem diz: É esse! E o jovem diz: É essa! Ao invés de perguntar: Senhor, é esse? Senhor, é essa? Podem se defraudar, podem se frustrar, podem se ferir emocionalmente, simplesmente porque não querer guardar o coração. Não o entregam ao Senhor, para que momento certo o Senhor lhes apresente a pessoa certa.

Quando Deus chegou até Moisés, sabia que iria encontrar um homem ferido, frustrado, no entanto, o Senhor estava decidido a cumprir a promessa que havia feito a Abraão em Gênesis 15.13-14: “Então o Senhor falou a Abrão: ‘Sabe, com toda a certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida a escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Contudo Eu julgarei e castigarei a nação que a fizer sujeitar-se à escravidão; e depois de muitas aflições, teus descendentes sairão livres, levando muitas riquezas’.”.

Moisés, pelo que viveu, já não acreditava em si mesmo, por isso pede a Deus para que envie outro, porque não daria conta. Ele disse que não sabia falar, mas a palavra diz que ele era “poderoso em palavras’. Moisés, por ter sido desprezado, se sentiu inferiorizado. Não tinha mais autoestima.

Um único momento, paralisou a vida de um homem por quarenta anos. Deus precisou ir até ele, e com paciência conduzi-lo ao propósito para o qual ele tinha sido chamado.

E por esse processo todos temos que passar, não podemos nos abater, nos frustrar ou ficar paralisados por causa das desilusões pelas quais passamos. O Grande Eu Sou, o Criador de tudo o que existe, espera que avancemos, que superemos todas as dificuldades, que ultrapassemos barreiras, que vençamos a dor, porque logo a frente, entenderemos que tudo o que pelo que passamos nos habilitará a viver o que Deus tem para nós.